A Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP) realizou, na última sexta-feira (16), em Campinas (SP), o evento de lançamento do curso “Sinalização de veículos e equipamentos para transporte rodoviário de produtos perigosos”. A formação, disponibilizada oficialmente após o evento, pode ser acessada de forma totalmente online e 100% gratuita na plataforma do SEST SENAT.
O encontro, realizado na sede do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de Campinas e Região (SINDICAMP), também celebrou os 28 anos da ABTLP e reuniu representantes da ANTT, SEST SENAT, SEMIL, ABNT/CB-16, ABICLOR e profissionais do setor para discutir legislação, fiscalização, capacitação e os cuidados necessários para a correta identificação dos riscos nas operações.
Na abertura, o presidente da ABTLP, Oswaldo Caixeta, destacou a importância da qualificação contínua em uma atividade que exige atualização permanente sobre normas, procedimentos e segurança.
“É uma alegria celebrar os 28 anos da ABTLP com o lançamento de mais um curso. Já tivemos uma experiência muito positiva com o curso de CVC, desenvolvido em parceria com o SEST SENAT, e agora avançamos com uma nova formação voltada à sinalização. Nas reuniões semanais com os nossos associados, esse é um tema que gera muitas dúvidas sobre o que precisa ser feito e como aplicar corretamente as exigências na operação. O curso nasce justamente para ajudar os transportadores nesse processo e levar para as empresas mais conhecimento, segurança e comprometimento nas operações”, destacou Caixeta

A programação técnica começou com Rodrigo Amorim, especialista em regulação do Transporte Terrestre da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que apresentou aspectos da Resolução ANTT nº 5.998/2022, norma que disciplina o transporte rodoviário de produtos perigosos e estabelece condições para a atividade, responsabilidades dos agentes e o regime de infrações e sanções.
Durante a apresentação, Amorim detalhou a função dos rótulos de risco, painéis de segurança e demais símbolos aplicáveis, utilizados para comunicar os riscos associados aos produtos transportados. O representante da Agência também abordou as responsabilidades de expedidores e transportadores e os critérios observados durante as fiscalizações. A regulamentação prevê multas que variam conforme a gravidade da infração e contempla situações como ausência, inadequação, ilegibilidade ou uso incorreto da sinalização.
“A sinalização é uma forma essencial de comunicar os riscos presentes no transporte. Os rótulos de risco indicam a classe ou subclasse do produto, enquanto os painéis de segurança trazem informações como o número ONU e o número de risco. Quando esses elementos estão aplicados corretamente, é possível identificar com rapidez o que está sendo transportado e quais cuidados aquela operação exige. Essa informação é fundamental para a fiscalização, para a atuação das equipes de emergência e para a segurança de todos os envolvidos no transporte”, destacou Amorim.

Na sequência, Karolina Jardim, analista de Educação a Distância do SEST SENAT, apresentou a plataforma digital da instituição e o processo utilizado para transformar conteúdos técnicos em soluções educacionais. O SEST SENAT Digital reúne 174 cursos distribuídos em 11 eixos temáticos e registrou mais de 970 mil matrículas entre janeiro e outubro de 2026.
“Esse curso chega à plataforma do SEST SENAT como uma nova opção de qualificação para os profissionais do transporte de produtos perigosos. A proposta é facilitar o acesso a um conteúdo técnico importante para a rotina do setor, com uma formação online que pode ser realizada de forma prática por profissionais de diferentes regiões do país”, destacou Karolina.

Eduardo Leal, secretário executivo da ABTLP, deu sequência à programação com uma apresentação sobre a atuação da entidade e o cenário do transporte de produtos perigosos no Brasil. Ele destacou os 28 anos de trabalho da Associação na representação das empresas do segmento e abordou os requisitos obrigatórios da atividade, além da participação dos diferentes órgãos governamentais envolvidos na regulamentação e fiscalização do setor.
A partir desse contexto, Leal detalhou a estrutura do curso “Sinalização de veículos e equipamentos para transporte rodoviário de produtos perigosos”, dividido em seis módulos sobre regulamentação, rótulos de risco, painéis de segurança, símbolos, sinalização de veículos e equipamentos e penalizações.
“Estamos falando de uma atividade que possui uma série de requisitos e envolve diferentes órgãos e responsabilidades. O curso foi desenvolvido para organizar uma parte importante desse conhecimento, especificamente sobre sinalização, e aproximar essas informações da rotina dos profissionais que atuam no setor”, explicou Eduardo Leal.

O curso online possui 20 horas de carga horária, prazo de até 30 dias para conclusão e emissão de certificado. A formação foi desenvolvida para ampliar o conhecimento sobre a aplicação prática das regras de sinalização, contribuindo para reduzir erros, autuações e riscos nas operações.
Para encerrar a programação oficial, o evento promoveu um painel de debate com Oswaldo Caixeta, da ABTLP; André Garcia, da SEMIL; Glória Benazzi, da ABNT/CB-16; Nelson Felipe, da ABICLOR; Roberta Diniz, do SEST SENAT; e Rodrigo Amorim, da ANTT, sob mediação de Sergio Sukadolnick. A discussão reuniu diferentes perspectivas sobre os desafios do transporte de produtos perigosos, conectando temas como regulamentação, fiscalização, capacitação profissional e segurança nas operações.

Ao final do encontro, Caixeta reforçou que a formação responde a uma demanda apresentada pelos próprios associados e destacou a importância de ampliar o acesso ao conteúdo para diferentes profissionais envolvidos nas operações.
“Esse curso nasceu de uma demanda dos nossos associados e da necessidade de desenvolver um trabalho cada vez mais seguro, em parceria com os órgãos competentes. Com o SEST SENAT, conseguimos disponibilizar esse conteúdo para todo o país e fazer com que mais pessoas saibam o que fazer e como agir, inclusive nas situações mais difíceis. A ideia é que as lideranças levem esse conhecimento para as equipes de operação, para os motoristas e para todos que lidam diariamente com produtos perigosos”, concluiu Caixeta.
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