O tempo de espera para carga e descarga chegou a 3 dias, 16 horas e 32 minutos, em média, nos casos registrados na Calculadora de Estadia da Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas em Geral do Estado de São Paulo (FETRABENS). O levantamento reúne mais de 400 registros feitos entre abril de 2021 e o início de março de 2026, em 18 estados e no Distrito Federal.
O período corresponde a 88 horas e 32 minutos. Portanto, supera em 83 horas e 32 minutos o limite de cinco horas previsto para as operações de carga e descarga. Na prática, os registros apontam um tempo de permanência quase 18 vezes maior que a referência estabelecida na legislação.
Tempo de espera para carga e descarga gera cobrança
O tempo de espera para carga e descarga começa a gerar o pagamento de estadia depois de cinco horas da chegada do caminhão ao local da operação. Atualmente, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) estabelece o valor de R$ 2,50 por tonelada/hora ou fração. O cálculo considera a capacidade total de transporte do veículo.
Na base analisada pela FETRABENS, os valores calculados pela ferramenta ultrapassam R$ 2,5 milhões. A média ficou em R$ 6.424,78 por registro.
Entretanto, o valor da estadia não representa todo o impacto da espera. Afinal, enquanto permanece parado para carregar ou descarregar, o caminhão deixa de realizar outras viagens. Além disso, o motorista pode ter a programação da jornada alterada e enfrentar despesas adicionais durante a permanência no local.
Tempo de espera para carga e descarga afeta motoristas
O tempo de espera para carga e descarga também aparece em pesquisas realizadas com transportadores. Segundo a 3ª Pesquisa Nacional sobre a Realidade do Transportador Autônomo de Cargas, da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), 46,1% dos entrevistados enfrentam períodos superiores a cinco horas.
Além disso, mais de 90% dos transportadores ouvidos disseram não receber o pagamento da estadia. A pesquisa ouviu 2.002 transportadores autônomos.
Outro levantamento, a Pesquisa Nacional CNTTT 2026, ouviu 1.015 motoristas profissionais de todas as regiões do Brasil. Nesse caso, mais de oito em cada dez profissionais relataram espera superior a cinco horas em operações de carga e descarga.
Os locais onde ocorrem essas operações também receberam avaliações baixas. Na pesquisa, 73% dos motoristas deram notas entre zero e cinco para as estruturas de carga e descarga. A média ficou em 3,7. Além disso, um em cada três entrevistados citou esses locais como ambientes de ameaça psicológica.
Tempo de espera para carga e descarga aumenta
O tempo de espera para carga e descarga também aparece com mais frequência nos registros da calculadora da FETRABENS. Em 2021, a ferramenta recebeu 18 registros. Já em 2025, foram 167.
A calculadora permite informar a data e o horário de chegada e de saída, além da capacidade total do veículo. A partir desses dados, a ferramenta calcula o valor da estadia e gera uma certidão com as informações da operação.
Dessa forma, o transportador consegue organizar os dados sobre o período de permanência e utilizar o documento como apoio na comprovação da espera e na cobrança do valor correspondente.
Tempo de espera para carga e descarga pode gerar indicadores
A FETRABENS defende que a Calculadora de Estadia seja reconhecida nacionalmente e integrada a sistemas utilizados no transporte rodoviário de cargas, como o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) e o Documento Eletrônico de Transporte (DT-e).
A proposta é usar os registros sobre tempo de espera para carga e descarga também para acompanhar os gargalos das operações. Com uma base de dados estruturada, seria possível identificar locais com recorrência de atrasos, acompanhar os tempos de permanência e direcionar ações de fiscalização.
Além disso, os dados poderiam ajudar empresas e órgãos públicos a identificar pontos que precisam melhorar os processos de recebimento e expedição de cargas.
Dados não representam média nacional
Apesar dos números registrados na calculadora, a FETRABENS destaca que os dados não representam uma estimativa do tempo médio de espera em todas as operações de carga e descarga realizadas no Brasil.
Isso ocorre porque a base reúne apenas os casos registrados pelos usuários da ferramenta. Portanto, os resultados mostram o comportamento das ocorrências inseridas na calculadora e ajudam a dimensionar o problema entre os transportadores que utilizaram o sistema.
O relatório técnico sobre a aplicabilidade da Calculadora de Estadia analisou mais de 400 registros e reuniu dados de operações realizadas entre abril de 2021 e março de 2026. O estudo foi elaborado pela Trucker Inovação e Empreendedorismo Social, com financiamento da FETRABENS.
Fonte: O Carreteiro

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