Informativos ABTLP Notícias em Destaque

Produtos perigosos: o que todo caminhoneiro precisa saber antes de pegar a estrada

Publicado pela ABTLP

O transporte de produtos perigosos está entre as operações mais complexas do transporte rodoviário de cargas. Produtos inflamáveis, químicos, corrosivos e outras cargas de alto risco exigem não apenas veículos adequados, mas também motoristas preparados, protocolos rigorosos e atenção permanente durante toda a viagem.

Apesar dos avanços em tecnologia, treinamento e fiscalização, o setor ainda convive com desafios estruturais que impactam diretamente a segurança das operações. Para entender melhor esse cenário, o Portal O Carreteiro conversou com Eduardo Leal, executivo da Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP).

Segundo Leal, o segmento evoluiu significativamente nos últimos anos e hoje opera com níveis mais elevados de controle e gestão de risco.

“O transporte de produtos perigosos sempre foi uma atividade construída em cima da segurança. As regras e exigências existem justamente porque estamos falando de produtos com potencial de risco elevado, tanto para as pessoas quanto para o meio ambiente”, afirma.

Ele destaca que a evolução tecnológica e a mudança de cultura dentro das empresas ajudaram a tornar a atividade mais segura.

“Hoje temos mais tecnologia, mais controle, mais gestão de risco e uma preocupação muito maior com treinamento e prevenção. Isso faz com que o transporte seja mais seguro hoje do que era no passado”, explica.

Segurança além da obrigação no transporte de produtos perigosos

Para Eduardo Leal, um dos maiores avanços do setor não está apenas na legislação, mas na consciência das empresas sobre os impactos de uma operação mal conduzida. “O principal avanço vai além daquilo que a legislação exige. As empresas especializadas passaram a entender de forma mais clara o impacto que uma operação mal conduzida pode causar”, comenta.

Na avaliação do executivo, quando a segurança deixa de ser apenas uma obrigação legal e passa a fazer parte da cultura da empresa, toda a operação evolui.

MOPP segue sendo porta de entrada

Para atuar no transporte de produtos perigosos, o motorista precisa possuir CNH compatível com a categoria do veículo, EAR (Exerce Atividade Remunerada) e aprovação no curso MOPP — Curso Especializado de Transporte de Produtos Perigosos.

Segundo Leal, o MOPP é fundamental porque representa o primeiro contato do motorista com os conceitos específicos da atividade.

“É nesse momento que o motorista aprende sobre legislação, direção defensiva, primeiros socorros, meio ambiente e os procedimentos relacionados à movimentação desses produtos”, explica.

Além do MOPP, as empresas costumam investir em treinamentos complementares, dependendo do tipo de carga transportada e da complexidade da operação.

Mesmo com o fim da obrigatoriedade da renovação do curso desde dezembro de 2025, muitas transportadoras seguem realizando reciclagens periódicas.

“A atualização constante é fundamental para manter a segurança das operações”, reforça.

Estradas ruins aumentam os riscos

Embora o transporte de produtos perigosos seja altamente regulamentado, Eduardo Leal aponta que os maiores riscos hoje estão fora do caminhão: nas condições das rodovias brasileiras.

“Realizamos uma das atividades mais especializadas do Brasil, mas nossos veículos ainda circulam por rodovias sem condições mínimas adequadas”, alerta.

Entre os problemas apontados estão a precariedade da infraestrutura, sinalização deficiente, falta de áreas seguras para parada e até questões relacionadas à segurança pública.

“Muitas vezes o transportador é altamente cobrado e fiscalizado, mas a infraestrutura necessária para que a operação aconteça com segurança não acompanha esse nível de exigência”, afirma.

Checklist e direção preventiva fazem diferença

Antes de iniciar uma viagem, o executivo reforça que o motorista deve realizar um checklist completo do veículo e da documentação.

Durante o trajeto, algumas práticas são consideradas fundamentais para reduzir riscos, como direção preventiva, atenção às condições da via, combate à fadiga e monitoramento constante da carga.

Além disso, a escolha de locais seguros para parada e descanso também faz parte dos protocolos de segurança.

Tecnologia ajuda no controle das operações

Ferramentas como rastreamento, telemetria e controle de jornada têm ajudado o setor a aumentar a segurança operacional e agilizar respostas em situações de emergência.

Segundo Leal, a tecnologia hoje atua como suporte tanto para os motoristas quanto para as empresas.

“Ela contribui monitorando a frota, auxiliando os motoristas e garantindo mais segurança para toda a operação”, destaca.

Fiscalização mais técnica

A fiscalização do transporte de produtos perigosos envolve órgãos de trânsito, transporte e também entidades ambientais, já que a atividade possui potencial poluidor.

Para o executivo da ABTLP, ainda existem limitações estruturais e falta de agentes fiscalizadores, mas houve evolução nos últimos anos.

“Percebemos fiscalizações mais técnicas e mais alinhadas ao que a legislação realmente exige”, afirma.

Responsabilidade precisa ser compartilhada

Ao falar sobre os próximos desafios do setor, Eduardo Leal defende uma visão mais ampla sobre a responsabilidade pela segurança da operação.

Segundo ele, não é possível concentrar toda a responsabilidade apenas nas transportadoras e embarcadores.

“Existem outros agentes que fazem parte da operação e que também impactam diretamente a segurança e a eficiência da atividade, principalmente os órgãos reguladores”, ressalta.

Para ele, garantir infraestrutura adequada e condições seguras de circulação também deve fazer parte dessa discussão.

Valorização do motorista

Ao final da entrevista, Eduardo Leal reforçou a importância dos motoristas para o funcionamento do setor e defendeu maior valorização da profissão.

“Os motoristas são os principais responsáveis pelo sucesso da atividade. É uma profissão extremamente difícil, que exige responsabilidade, preparo e equilíbrio diário. Por isso, precisa ser mais valorizada e respeitada”, conclui.

Fonte: O Carreteiro

Deixe um comentário