Segundo dados apurados pelo SOS Estradas, mantida a tendência dos primeiros dois meses de 2026, o número de mortos nas rodovias federais poderá terminar o ano com 6.837 mortos, contra os 6.044 de 2025. Portanto, 793 vítimas fatais a mais.
O aumento de 13,13% no número de vítimas fatais, registrados nos dos primeiros dois meses de 2026, foi utilizado como índice para fazer essa estimativa.
Já os sinistros (acidentes), mantida a tendência dos dois primeiros meses deste ano, com aumento de 5,51% passariam dos 72.483 registrados em 2025 para 76.478.
Os feridos, cujo crescimento registrado na soma de janeiro e fevereiro últimos, foram de 8,61%, o que permite projetar que fechará 2026 com 90.667 feridos contra os 83.483 de 2025.
Aumento ocorre após mudanças das normas pela Senatran e ministro Renan Filho
A projeção preocupa, considerando que os aumentos ocorrem nos dois primeiros meses de 2026, logo após o novo modelo para obtenção da primeira habilitação, a extinção da necessidade da renovação dos cursos de transporte de produtos perigosos, indivisíveis, além de transporte de passageiros e escolar, estabelecidos pela Resolução 1.020 de 09 de dezembro de 2025.
Além da Medida Provisória Nº 1.327, de 9 de dezembro de 2025 que estabeleceu a renovação automática para condutores que não apresentem autuação por infração registrada nos últimos doze meses.
Sem passar por exame médico, psicológico, que possa atesta doença física ou psíquica que impede de dirigir com segurança.
Assim como qualquer tipo de checagem para verificar da possibilidade do beneficiado estar fazendo uso de veículo em nome de terceiros ou empresas, sem indicar o real infrator, como tem feito regularmente os chamados ‘influenciadores” que postam nas mídias sociais dirigindo a velocidades superiores a 200km/h, participando de rachas, dentre outras infrações gravíssimas e crimes de trânsito.
Ambas mudanças legislativas capitaneadas pelo então ministro dos Transportes, Renan Filho com apoio permanente do Secretário Nacional de Trânsito, Adrualdo Catão. Sendo que na Comissão Mista instaurada no Senado para analisar a Medida Provisório, o presidente é um deputado alagoano, ligado a família Calheiros. O relator é o próprio ministro e o Secretário da Senatran também é alagoano. Todos liderados politicamente pelo senador Renan Filho.
Para o SOS Estradas, ainda não é possível afirmar que a grave tendência de aumento de sinistros, feridos e mortos para este ano de 2026 nas rodovias federais seja fruto da Resolução e Medida Provisória, mas apontam na direção de que o governo federal está fracassando em 2026 e causas e responsabilidades precisam ser apuradas.
Adrualdo Catão da Senatran tem destacado a importância das evidências para confirmar os resultados das políticas públicas. Neste caso fica evidente que as mesmas não contribuem para uma avaliação positiva do governo as vésperas do Maio Amarelo.
Operação Descanso Legal foi decisiva para redução de 2% dos mortos em 2025
A redução ainda que limitada da acidentalidade em 2025, na avaliação do SOS Estradas pode ser atribuída a chamada Operação Descanso Legal, em que a Polícia Rodoviária Federal realizou com grande divulgação entre janeiro e fevereiro de 2025.

Na ocasião, foi fiscalizada a jornada de trabalho dos caminhoneiros. Os quais eram autuados quando não cumpriam o descanso mínimo de 11 horas determinado pelo Supremo Tribunal Federal ou não respeitavam o tempo máximo de direção contínua.
Logo que o Congresso retornou aos trabalhos em março de 2026, o lobby dos escravocratas dos transportes atuaram para pressionar parlamentares e governo federal para que a fiscalização fosse apenas educativa.
Embora há registro de que a PRF continuou fiscalizando com rigor até início de abril de 2025, e com menos foco durante o restante do ano, a corporação deixou de noticiar a Operação Descanso Legal desde então, conforme atestam as notícias do próprio site da corporação.
Em 2026, no mesmo período de janeiro e fevereiro, não há nenhuma notícia sobre Operação Descanso Legal ou fiscalização focada em jornada de trabalho e descanso dos caminhoneiros. Já no mesmo período de janeiro e fevereiro de 2025 são dezenas, com grande repercussão na imprensa nacional.
Índice de letalidade das colisões envolvendo veículos pesados
Importante lembrar que, num estudo anterior do Estradas, foram analisados 363 sinistros (acidentes), com pelo menos uma vítima fatal e que tivesse o envolvimento de um caminhão e um automóvel.
Na ocasião, ficou comprovado que morreram na pista 17 ocupantes de caminhão (motorista/acompanhante) e 605 nos automóveis. O que revela o grau de letalidade dos sinistros envolvendo veículos pesados.
Portanto, a divulgação das Operações de Descanso Legal em janeiro e fevereiro de 2025 inibiram práticas abusivas de empresas e reduziram a irresponsabilidade de caminhoneiros autônomos que dirigiam sem o descanso necessário, muitas vezes passando mais de 24 horas ao volante, e não raramente usando drogas para suportar dirigir sem dormir.
Para Rodolfo Rizzotto, coordenador do SOS Estradas, ainda que as autuações continuem, a divulgação das Operações inibe muito mais. “Neste caso a ‘publicidade’ é essencial. Ela permite inibir os abusos, reduz as autuações e produz resultados significativos no número de vítimas, principalmente considerando que tradicionalmente veículos pesados estão envolvidos em sinistros que representam 50% das mortes nas rodovias federais e na maioria das estaduais”.
Ele recorda ainda que as polícias rodoviárias estaduais nunca tiveram o mesmo empenho da Polícia Rodoviária Federal para fiscalizar jornada dos motoristas profissionais. Neste sentido a PRF tem mais méritos.
“Precisamos apoiar a PRF na fiscalização das condições de trabalho dos motoristas profissionais, porque as consequências de sinistros com estes veículos pesados são gravíssimas.”, reforça Rizzotto.
Fonte: Estradas


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