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O futuro do transporte de cargas: seis mudanças que vão transformar o setor

Publicado pela ABTLP
Levantamento global da Deloitte indica tendências para a logística em busca de eficiência e identifica, no Brasil, um esforço de adaptação às mudanças impostas pela reforma tributária

O transporte de cargas vive um momento de mudança global. Tensões geopolíticas, oscilações econômicas e avanço de novas tecnologias e modelos de negócios transformam rapidamente o setor. É o que aponta a nova edição do estudo O futuro do frete da Deloitte. Baseado em uma análise de mercado e nos insights do futurista-chefe da Deloitte, Eamonn Kelly, o levantamento detalha as grandes diferenças de cenário em relação a 2022, quando a edição anterior havia sido publicada.

As principais mudanças identificadas pelo levantamento, e que apontam para o cenário futuro do setor em termos mundiais, são:

  1. Encurtamento de distâncias: as empresas buscam posicionar suas operações produtivas cada vez mais próximas dos mercados consumidores, o que contribui para a melhoria do nível de serviço e para a redução dos riscos operacionais.
  2. Tecnologia e dados: cresce a integração entre empresas de transportes e de tecnologia.
  3. Transformação da dinâmica competitiva: a entrada de novos concorrentes, inclusive nativos digitais, e a redefinição de estratégias de negócio impulsionam mudanças constantes no ambiente competitivo.
  4. Reestruturações empresariais: fusões, aquisições e desinvestimentos geram sinergias, fortalecem posições de mercado, ampliam capacidades e elevam a eficiência operacional das organizações.
  5. Evolução das frotas: a adoção de novos combustíveis, sistemas avançados de telemetria e tecnologias autônomas estabelece novas regras e dependências para o setor.
  6. Parcerias público-privadas: facilitam o direcionamento de recursos governamentais para viabilizar grandes projetos de infraestrutura de transporte, junto à agilidade e capacidade de execução do setor privado.

A tecnologia também é um componente estratégico: o levantamento aponta que a tendência é de avanço de tecnologias como IA, machine learning, visão computacional e simulação em larga escala.

“Transportadoras têm investido ou adquirido startups de dados para otimizar rotas e reduzir custos na cadeia estendida, enquanto algumas dessas empresas evoluem para atuar como brokers digitais de carga, conectando embarcadores e transportadores com inteligência artificial e big data para aumentar eficiência e transparência”, afirma Giuliano Babbin

Impactos tributários

No Brasil, às tendências globais apontadas pelo estudo somam-se mudanças previstas para o setor, incluindo os impactos da reforma tributária – que redefine benefícios fiscais e impõe adaptações tecnológicas para atender às novas regras.

Especificamente no País, o setor ainda precisa lidar com as mudanças na legislação brasileira, que influenciam várias das tendências de futuro e mexem na própria prática da atividade. “Com a reforma, a lógica será alterada: o imposto passará a ser recolhido no destino da mercadoria, e não mais em sua origem. Isso traz impactos profundos para a cadeia logística”, explica Luiz Rezende, sócio-líder de Consultoria Tributária da Deloitte Brasil.

Hoje uma indústria pode manter sua produção em um estado que oferece incentivos fiscais, mesmo que o principal mercado consumidor esteja em outro. Com a nova regra, essa empresa não apenas terá o custo do frete, mas também perderá o benefício tributário, reduzindo a competitividade. O mesmo raciocínio vale para os centros de distribuição.

“Devido aos incentivos fiscais oferecidos em determinadas regiões do Brasil, grande parte da indústria de consumo, incluindo os setores automotivo, de alimentos e bebidas e eletroeletrônico, por exemplo, concentra suas operações em áreas estratégicas do país. Essa escolha geográfica impacta diretamente as margens de lucro das empresas, pois os benefícios tributários decorrentes da localização representam uma parcela significativa dos resultados financeiros dessas organizações”, detalha Paulo de Tarso, sócio-líder para a indústria de Consumer da Deloitte Brasil.

Fonte: Valor Econômico | Foto: Getty Images

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