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Logística deve triplicar investimento
23/2/2010 - De O Estado de S. Paulo - Dentro do novo quadro de investimentos em infraestrutura no Brasil, o economista Gilberto Borça Jr., do BNDES, destaca que, apesar da manutenção do protagonismo de energia elétrica e telecomunicações, o País deverá experimentar um salto mais alto nos investimentos em logística. Só na área de portos, o BNDES prevê que os investimentos praticamente vão triplicar, passando dos R$ 5 bilhões aplicados entre 2005 e 2008 para R$ 14 bilhões entre este ano e 2013, um aumento de 203%. Na mesma comparação, o investimento em ferrovias deve aumentar 81,7%, impulsionado pelo projeto do Trem de Alta Velocidade (TAV) ligando Rio e São Paulo, cujo edital está em preparação.

Para Borça Jr., o movimento em torno desses setores está ligado à definição de novos marcos regulatórios e concessões. Ele destaca ainda o crescimento de 77,1% nos recursos para saneamento em relação ao quadriênio anterior. "No fim de 2009, o marco regulatório definido de portos deu mais horizontes para o setor. No saneamento, a iniciativa privada também está entrando e deve ficar com 30% a 40% do investimento de R$ 39 bilhões previsto para esse setor."

Fernando Puga, também do BNDES, cita as novas etapas dos programas federal e do Estado de São Paulo de concessões de rodovias como principais indutores dos investimentos de R$ 33 bilhões estimados para o transporte rodoviário até 2013, que deve crescer 7,8% ao ano. "O que vemos para os investimentos em infraestrutura é o setor público atuando como um indutor dos investimentos privados, realizando leilões e concessões", afirmou o economista. O estudo do BNDES não estimou que porcentual dos investimentos estimados deverão sair dos cofres públicos.

Previsão menor - Apesar de traçar um cenário de incremento da infraestrutura, diante da perspectiva de um novo ciclo de crescimento da economia acima de 5% ao ano, a nova projeção do BNDES de R$ 274 bilhões em investimentos para o segmento é mais modesta do que os R$ 338,5 bilhões que o banco havia estimado no ano passado para o intervalo 2009-2012. O trabalho anterior indicava taxa de crescimento de 12,8% ao ano para a infraestrutura naquele período. Agora, a estimativa é de 6,3% ao ano entre este ano e 2013.

Fernando Puga justifica a diferença admitindo que o banco pode ter superestimado os investimentos em energia elétrica em 2009, já que vários projetos sofreram atrasos, mas diz que, no longo prazo, a crise praticamente não alterou as perspectivas para o setor, que exige planejamento extenso. Além disso, diz, o BNDES adotou critérios mais rígidos para incluir projetos na conta do mapeamento que faz há cinco anos, a partir das informações de órgãos governamentais e empresas colhidas por seus departamentos.

Segundo Puga, a crise financeira mundial não afetou os projetos de infraestrutura, que respondem por cerca de 10% do investimento total da economia. Para ele, mesmo mais modesta agora, a previsão de expansão da infraestrutura ainda indica investimentos capazes de dar suporte ao crescimento. "Na parte de energia elétrica, por exemplo, as informações de órgãos como a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) são de que este investimento viabiliza o crescimento da demanda."

No entanto, o estudo mostra que o baque sentido no setor industrial, principalmente o exportador, aumenta a responsabilidade do governo de estimular investimentos no segmento para dar competitividade à economia e estimular outros setores. "A crise foi uma descontinuidade, mas não alterou a trajetória de crescimento do investimento na economia. Apenas adiou em dois anos a chegada da formação bruta de capital fixo a 21% do PIB. Achamos que ela não cairia em 2009, mas erramos. Esse patamar só ocorrerá em 2011", diz Puga.